sábado, 11 de abril de 2009




Sinceramente



Cachorro Grande



Composição: Beto Bruno





Sinceramente você pode se abrir comigo


Honestamente eu só quero te dizer:


Que eu acertei o pulo quando te encontrei


Acertei Eu sei a palavra que você deseja escutar


Você é o segredo que eu vou desvendar


Você acertou o pulo quando me encontrou


Acertou o pulo quando me encontrou


E então o nosso mundo girou


Você ficou e a noite veioNos trazer a escuridão


E aí, então, eu abri meu coração


Porque nada é em vão






Gostei do seu charme e do seu groove


Gostei do jeito como rola com você


Gostei do seu papo e do seu perfume


Gostei do jeito como eu rolo com você




Sinceramente você pode se abrir comigo


Honestamente eu só quero te dizer:Que eu acertei o pulo quando te encontrei


Acertei o pulo quando te encontrei


E então o nosso mundo girou


Você ficou e a noite veio


Nos trazer a escuridão


E aí, então, eu abri meu coração


Porque nada é em vão.

domingo, 5 de abril de 2009

Álvaro de Campos
Poema em Linha Reta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida... Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil? Ó principes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que venho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.